EDITORIAL/ABRIL-2004

QUAL É O TOM ?

  "O encontro de duas personalidades (ou mais) é como o contato de duas (ou mais) substâncias químicas: se houver uma reação, ambas se transformam."

Yung

Para o psicólogo Pichon-Riviére ,um grupo é " um conjunto de pessoas ligadas entre si por constantes de espaço e tempo, que se propõe de forma explícita ou implícita a uma tarefa que constitui a sua finalidade." Dentro dessa concepção, cabem no conceito trabalhadores numa fila de ônibus, torcedores em jogos decisivos ou uma multidão reunida num comício, afinal em todas essas situações ocorre simultaneidade de espaço, tempo e um certo compartilhamento de interesses. Resta a pergunta: é esse tipo de grupo de que precisamos participar, como categoria funcional da Secretaria Municipal da Fazenda ? O que precisa caracterizar o nosso grupo, para que ele não seja um mero agrupamento e exerça a condição de um todo coeso e atuante ?

Um grupo coeso e atuante não é um simples somatório de indivíduos. Ele se constitui como uma nova entidade, com leis e mecanismos próprios e específicos, onde os integrantes estão reunidos em torno de uma tarefa e de objetivos comuns e reconhecem a indispensável necessidade de manutenção da comunicação, tanto visual, como auditiva, verbal e conceitual. Para tal, é necessária a instituição de um setting e o cumprimento das combinações nele feitas. Assim, é preciso levar em conta uma estabilidade espaço-temporal de encontros, de modo que a unidade e totalidade do grupo não só se organize a serviço de seus membros, como também, reciprocamente, os membros se organizem a serviço da totalidade do grupo.

O problema é que as nossas experiências em grupo costumam estar carregadas de vivências autoritárias e massificadoras, nada semelhantes à idéia de grupo que a ACAM pratica, a qual envolve um outro tipo de trabalho, uma verdadeira e permanente construção de uma identidade coletiva.

Para construir um grupo dessa natureza, é preciso uma rotina de trabalho, envolvendo tempo, espaço, atividade. Tempo que envolve ritmo. Ritmo que significa pulsação, organização, hierarquização dos clamores da categoria. Ritmo que também envolve constância . Constância na rotina. Não a rotina na qual fomos educados, que se arrasta num tédio mortal, por ser alienada dos desejos e pensamentos do indivíduo, mas a constância na rotina que estrutura a ação e alinhava com objetividade os passos necessários à concretização de nossos objetivos . É essa constância de propósitos, fixa mas não rígida, que implica compromisso com as atividades da Associação, até porque, na inconstância, não se possibilita o aprofundamento dos passos, dos movimentos que podem permitir o processo de reapropriação de nosso valor funcional na estrutura organizacional da Prefeitura.

Entretanto, o ritmo rotineiro que se propõe não é monotônico, homogêneo, exige variação, pois um grupo é também o espaço privilegiado das diferenças, do aprendizado do processo de convivência com a heterogeneidade, as divergências e os conflitos. É na integração com um grupo que posições restritas e pessoais são abandonadas e visões mais abrangentes de situações grupais emergentes são adotadas. A participação efetiva em uma associação implica assim um risco: de que sejamos expulsos da apertada concha acústica individual e lançados no espaço sideral da orquestra social. Resumo da ópera: sempre haverá espaço para mais vozes na polifônica sinfonia da ACAM.

Participe ! Consulte a programação.

 
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